Início » Blog » Azulejo

Categoria: Azulejo

O esgrafitado

azulejo esgrafitado
Azulejo esgrafitado – Ana Dominguez

A minha grande vontade de aprender de conhecer e de experimentar coisas novas, levou-me, um dia, ao Museu do Oriente. As cerâmicas do oriente, as suas cores e formas fascinam-me. Quando soube que ia haver um workshop de azulejo com técnicas diferentes da nossa azulejaria tradicional portuguesa, não consegui resistir e inscrevi-me. Resultado, adorei. O curioso foi que a técnica do esgrafitado ensinada por Jun Shirasu, foi também inspirada na azulejaria tradicional portuguesa, porque Jun conheceu Portugal há muitos anos e foi cá que aprendeu a técnica azulejar. Depois claro, transformou-a e adaptou-a à sua cultura, à sua arte e ao seu gosto pessoal. Se passarem na estação de comboios do Pragal, podem admirar os painéis feitos por Jun, utilizando a “nossa” pintura em azulejo , mas tão ao seu gosto e ao seu modo.
A palavra esgrafito corresponde à técnica decorativa que recorre à incisão com um estilete metálico, uma lâmina ou outra ponta aguçada para fazer as linhas removendo, a camada superficial do vidrado do azulejo de forma a mostrar a coloração subjacente. O resultado é um expressivo jogo plástico de claro-escuro e de texturas (baixo relevo) .
As paixões são assim, como esta que tenho por esta técnica, são avassaladoras. Talvez por isso tenha tanta vontade de a partilhar convosco. Daí ter resolvido organizar um workshop à volta do esgrafitado,no próximo dia 21, durante o qual, partindo dos ensinamentos de Jun Shirasu, vamos esgrafitar 4 azulejos. Não querem experimentar? Garanto que não se irão arrepender. 🙂

A minha paixão pelos azulejos

Por vezes gostamos de alguma coisa e não sabemos explicar bem o porquê. É o que acontece comigo e com os azulejos. Sinto uma atracção especial que me leva a ver, a observar, a olhar mais à frente, mais atrás, a sentir o relevo, a textura. É isto tudo, mas também são também as histórias que eles nos contam. E não precisam de ser azulejos figurativos. Fazem-me lembrar os livros de histórias que não têm texto, mas que, apesar disso, nos permitem contar uma história. E acho que é esse um dos motivos pelos quais gosto tanto de azulejos. Partimos do mesmo material, mas o que neles desenhamos, pode ser uma pintura tradicional, ou esgrafitada, ou outra coisa qualquer. Assim é com os livros, partimos daqueles desenhos e pinturas , mas dependendo do público e da nossa emoção a história pode ir sempre em direcções diferentes e não é por isso que é menos bonita ou menos interessante ou menos cativante. Pois tem tudo a ver com a emoção, com o tom de voz.

Depois, também há a magia da cor dos azulejos, pois as cores em cru têm uns tons pastel, bem diferentes de quando saem do forno (vibrantes e coloridas). A intensidade da pincelada, os relevos que podemos criar, as misturas de técnicas, são um “mundo tão grande” que poderia passar dias a falar sobre isto, especialmente sobre as emoções. As emoções que eles nos causam. E, acima de tudo, fazem-nos querer aprender a pintar. Imaginar um painel, como conjugar os diferentes azulejos e por muito que alteremos a sua posição eles continuam a ter uma história legível (isto sobretudo quando falamos em pintura de azulejo não tradicional).

Convido-vos a virem “espreitar um pouco estes outros mundos” na Casa das Histórias Mágicas e creio que quando de cá saírem , vão muito mais ricos e envoltos numa magia muito especial!

A vida passa a correr

Ana Dominguez

 

Dizer que se gosta não basta e a vida passa a correr. Hoje não há tempo porque estamos a estudar, amanhã é porque estamos a trabalhar. Há a casa, os filhos e falta-nos o tempo para tantas coisas que gostamos de fazer. Ficam sempre para depois.

Apesar de ter gostado sempre muito  da minha profissão como educadora de infância, a cerâmica e o azulejo sempre foram “um bichinho” um desejo que me acompanharam , mas para os quais não “tinha tempo”.

Até que um um dia encontrei esse tempo e fui aprender com quem sabe e ouvir e descobri que a vontade afinal era uma paixão e que precisava de continuar a aprender a explorar, a tocar e a mexer. Percebi que era tempo de agarrar essa paixão.

Foi assim que nasceu a Casa das Histórias Mágicas, um atelier de cerâmica e azulejo onde a vontade de aprender e o desejo de ensinar renasce todos os dias. Com ela fui descobrindo que há azulejos tradicionais, lindos, mas também há a pintura não tradicional, que vai buscar à outra todos os conhecimentos, mas parte em busca de um mundo novo. E  que da pintura não tradicional se pode partir para a descoberta do esgrafitado, seja ele em azulejo ou em cerâmica.  E a cerâmica, ai a cerâmica… O ”pôr as mãos na massa”. A roda de oleiro. A joalharia cerâmica. O rakú. Os fornos, as temperaturas, as cozeduras e as atmosferas. Enfim, outro mundo a descobrir. E depois, depois vem a pintura com os vidrados e os óxidos e as misturas, os engobes, as técnicas e os instrumentos. Os moldes,e, e….

De repente descobri que uma vida só não chega para aprender, explorar, ensinar e gostar, gostar muito. É difícil explicar o que nos move. Podem ser as formas, as cores, mas também as partilhas, os pequenos segredos, as pequenas e grandes conquistas e aprendizagens que tenho vindo a fazer.

E por gostar tanto de aprender, de ensinar,  achei que tinha de partilhar tudo isto com quem tem os mesmos sonhos, as mesmas paixões.

Foi assim que nasceu este blogue, dedicado à cerâmica e ao azulejo,à descoberta e à aprendizagem mas, acima de tudo, dedicado à vida. Vamos a isto, que a vida passa a correr!